Há ainda um mistério em torno da história de Falcon, menino de seis anos com nome de avião, que afinal estava no sótão quando meio-mundo pensava vê-lo voar num balão de hélio, nos EUA.
O suposto voo de Falcon, o nome do menino, falcão em português, foi acompanhado por um helicóptero e seguido pelos serviços da Aviação Americana e transmitido em directo por muitos canais de televisão no Mundo. No terreno, polícias e bombeiros também seguiram os 75 quilómetros que percorreu o balão cinzento, em forma de OVNI.
Quando o balão aterrou suavemente, percebeu-se que não tinha havido falcão a voar pelos céus. Falcon estava em casa, escondido no sótão. Entrevistado na CNN, o miúdo disse ter ouvido chamar por ele, mas manteve-se escondido porque ouvi os pais a dizer que "fizeram isto para um espectáculo".
O pai de Falcon, Richard Heene, disse estar "chocado" com as acusações de que o suposto desaparecimento do filho havia sido uma encenação com fins mediáticos. "Depois de tudo o que passei, é um choque que vocês [jornalistas] sugiram que se tratou de outra coisa", disse, em declarações reportadas na BBC.
"Ele escondeu-se no sótão porque gritei com ele", explicou o pai, que mais tarde ignorou as perguntas dos jornalistas que queriam clarificar as palavras do menino, de seis anos.
A família Heene já era conhecida dos norte-americanos, depois de ter participado em dois episódios do reality show "Troca de Esposas". A ABC, que transmite o programa, descreveu os Heene como uma "família de perseguidores de tempestades obcecada com a ciência".
Meteorologista de profissão, Richard Heene terá construído o balão em que se pensava ter viajado o filho. O engenho, em forma de disco voador, percorreu cerca de 75 quilómetros, antes de aterrar, a norte de Denver, no Estado do Colorado, nos EUA. Diz-se que terá chegado aos sete mil pés de altitude, cerca de dois quilómetros.
Quando aterrou, num campo, o balão foi rodeado por polícias e bombeiros. Com o auxílio de pás e outras ferramentas, as autoridades furaram o balão, para impedir que voltasse a voar, e procuraram o miúdo.
"Quando vi que não estava no balão, só pensava que teria caído", disse o pai. Um relato consistente, ou gerador do rumor que se instalou: havia uma cesta presa no balão que se desprendeu durante a viagem, e Falcon teria caído, dos céus, algures nos campos do Colorado.
Afinal, estava em casa, no sótão, entre brincadeiras e uma soneca, disse primeiro. Escondido do pai, revelou depois, dando início às suspeitas de que possa ter-se tratado de uma encenação.
Confirmou-se, assim que foi encontrado, a história que havia sido contada por um dos dois irmãos de Falcon. O miúdo dizia que tinha visto o mano mais velho entrar no balão e que teria soltado as amarras, dando início ao voo.
"Tencionamos voltar a questionar a família e esperarmos que coopere com a Polícia para esclarecer este assunto", disse o oficial de polícia Jim Alderden, em declarações à agência Associated Press. A história do balão animou os média com a viagem a ser seguida por canais de tv como a Al-Jazeera ou a CNN e em várias partes do globo. Dos EUA à Austrália.
Nos chamados novos média, milhares de tweets replicaram o que se passava nas cadeias de tv e no Facebook foram criadas três páginas de fãs do menino do balão, em menos de uma hora. Um empresário de produtos de marketing, citado na CNN, estima que o balão venha a ser um fato de sucesso para o Halloween, a Noite das Bruxas, no fim do mês, e calcula que vai gerar cerca de seis mil produtos, desde canecas a t-shirts ou porta-chaves.
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